Coluna do Tostão

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Mensagem por Marco Antônio em Qua 17 Dez - 11:36

PUBLICADO EM 17/12/14 - 04h00

A maioria das equipes, de todo o mundo, joga com quatro defensores, dois volantes, três meias e um centroavante, ou com uma dupla de atacantes, como a seleção brasileira, sem um meia-de-ligação, pelo centro. Nas duas formações existe um jogador de cada lado, que volta para marcar e forma, com os dois volantes, uma linha de quatro no meio-campo. Alguns times preferem atuar com uma linha de três no meio e outra de três na frente.

Tite, considerado um técnico defensivo, Oswaldo de Oliveira, tido como ofensivo, contratados por Corinthians e Palmeiras, Marcelo Oliveira, treinador de uma equipe que faz muitos gols, e vários outros treinadores utilizam o mesmo sistema tático. As qualidades e características dos jogadores e outros detalhes, como a maneira de marcar, é que definem a estratégia de uma equipe.

O treinador Van Gaal, na Copa, com a Holanda, e, agora, no Manchester United, redescobriu e valorizou o sistema com três zagueiros na Europa. A diferença é que seus dois alas são atacantes. O time fica mais ofensivo, pois joga com uma linha de três defensores, em vez de quatro. Ganha mais um jogador de frente. Quase todos os outros técnicos usam laterais como alas. São cinco defensores, em vez de quatro. Guardiola, no Barcelona, e, algumas vezes, no Bayern, escala três zagueiros, mas como Van Gaal.

Existem algumas variações interessantes na maneira de jogar. Em vez de ter dois volantes e um meia-de-ligação, mais adiantado, algumas equipes jogam com um volante, pelo centro, mais recuado e mais marcador, e com um armador de cada lado, que marcam como volantes e avançam como meias. Quando o time perde a bola, os três armadores e mais um meia de cada lado formam uma linha de cinco no meio-campo. Quando recupera a bola, quatro dos cinco avançam e se aproximam do centroavante. A Alemanha jogou assim na Copa.

Quando as equipes possuem um meia que participa da marcação no meio-campo e, rapidamente, chega à frente para fazer gols, como Müller, na Alemanha, Bale, no Real Madrid, Ricardo Goulart, no Cruzeiro, levam uma boa vantagem. Jairzinho, na Copa de 1970, fazia o mesmo. Voltava, pela direita, para marcar, e fez gols em todos os jogos. Outra maneira inventiva é escalar, na posição de volante, mais recuado e pelo centro, o armador de melhor passe, para iniciar as jogadas ofensivas, em vez do volante mais marcador. Pirlo sempre jogou assim. Kroos faz o mesmo no Real Madrid. Sonho com um craque, meio-campista, no futebol brasileiro. Há mais de 20 anos, não temos um. Não é por acaso nem uma entressafra. Essa falta é o símbolo de nossa decadência.
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Re: Coluna do Tostão

Mensagem por Marco Antônio em Dom 21 Dez - 11:38

PUBLICADO EM 21/12/14 - 04h00
Há quase 20 anos, fui entrevistado por um pesquisador alemão, que, com a colaboração da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), fazia um trabalho sobre as razões da grande habilidade e criatividade dos jogadores brasileiros. Ele, nem ninguém, imaginaria os 7 a 1 e que a Alemanha tivesse hoje seis atletas entre os 23 melhores do mundo, enquanto o Brasil só tem um. Uma das conclusões do trabalho, esperada, foi a de que a fantasia brasileira surgia na infância, nos campos de terra, na brincadeira com a bola, sem regras e sem professores. Os grandes talentos, em todas as áreas, costumam ser os que continuam brincando, com seriedade.

Hoje, a maioria dos meninos frequenta as escolinhas particulares, públicas ou dos clubes. Os Zé Regrinhas, em vez de deixarem as crianças descobrirem a intimidade com a bola, tentam ensinar as regras, a técnica, o jogo e como competir, antes de elas terem um desenvolvimento psicomotor adequado.Mesmo assim, temos um grande número de jogadores habilidosos e criativos, mas com pouca lucidez e pouca técnica. Não existe arte nem craque sem ótima técnica. Já os europeus, menos habilidosos, aprimoraram a técnica individual e coletiva. Os grandes jogadores, mesmo quando não brilham, erram pouco. O comentarista Sorín, da ESPN Brasil, após um erro de passe de Kroos, disse, com ironia e criatividade, que a manchete do outro dia já estava pronta: “Kroos errou um passe”. Existe uma antiga discussão se é melhor ter, nas categorias de base, como técnico, um ex-atleta ou um professor de educação física, com formação na área. Não há regras. Há ótimos e ruins treinadores nas duas situações. A maioria dos ex-atletas não se prepara para a nova função. Acha que sabe tudo. Além disso, muitos brilharam nos gramados, sem entender o jogo coletivo. Por outro lado, a maioria dos treinadores acadêmicos tem dificuldade para perceber as sutilezas de uma partida.

A solução para melhorar a formação dos jogadores não é a volta ao passado nem aos campos de terra. Hoje, com ótimos gramados e com mais recursos científicos e tecnológicos, existem muito mais chances de as crianças desenvolverem a habilidade, a criatividade e a técnica, desde que sejam aprendidas no momento certo e que sejam bem ensinadas. O melhor professor é o que ensina o aluno a aprender sozinho. Após a final da Copa de 1970, o cineasta Pasolini disse que a poesia brasileira derrotou a prosa italiana. Na verdade, o Brasil tinha também uma ótima prosa. Hoje, não estamos bem em uma coisa nem outra, não sabemos o que somos nem para onde vamos. Estou de férias.
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